No dia 13 de julho, a Sra. Luzia Torres Gerosa Laffite, Superintendente do Instituto da Infância, esrceveu um artigo sobre a primeira infância para o Jornal O Povo. A Superintendente agradece ao jornal pela oportunidade. O artigo segue abaixo e pode ser conferido também AQUI.
"Primeira Infância.
Falar da primeira infância é olhar para a criança de zero a seis anos, em diferentes contextos socioeconômico–culturais, caracterizando, assim, as diferentes primeiras infâncias em Fortaleza.
A infância, considerada como uma categoria histórica social e cultural, dinâmica e permanente, muda em seu tempo. Constrói novos valores, novos códigos sociais, novos comportamentos. Renova os pais, as famílias, o entorno social mais próximo. Mas para ter este papel partícipe na sociedade, há que prover sua existência com dignidade, garantida por parte da família e rede social, no que diz respeito ao afeto e à proteção; e por parte do Estado na equidade de todos os seus direitos.
No dia a dia, a mídia nos mostra sempre uma infância violada em seus direitos, apontado-nos as formas mais severas, rudes e cruéis no trato que vem sendo dado às nossas crianças, seja por parte da família, das instituições, ou da própria sociedade em geral. É real, é verdadeiro,
não há duvidas.
Mas há entre a aridez do descaso das infâncias, direitos que são violados de forma tênue, quase imperceptível e unânime a todas as infâncias: o direito de brincar e o direito de participar. Ambos pilares para a criança construir sua autonomia e cidadania.
O ato do brincar e participar promove a intensidade das dimensões humanas para o conhecimento do corpo e da mente, permitindo à criança reproduzir e produzir cultura nos espaços coletivos de seu cotidiano.
Mas que espaços coletivos temos hoje em Fortaleza favorecedores do lúdico, do prazer, do lazer e da recreação as nossas infâncias, e mais precisamente a criança de zero a seis anos?
A rua não é, pois está invadida pela insegurança social, pelos motoristas, motociclistas e ciclistas desrespeitosos e agressivos. As praças não existem para as crianças pequenas, são dominadas pelas pistas de cooper, de caminhadas e/ou quadras esportivas para os adolescentes e jovens.
Temos uma linda beira-mar para os adultos, mas com certeza não há espaço para criança brincar. A convivência coletiva das crianças ocorre em espaços curtos, delimitados pelos muros de seus condomínios ou pelas paredes divisórias de suas próprias casas.
As crianças não brincam movimentando-se, não exercitam seu corpo, sua voz, seus sentidos em conjunto. Não exploram os espaços físicos, brincam fechadas, de preferência, sentadas. Brincam com um coleguinha, não brincam com a turma; restringem seu aprendizado do que é compartilhar; solidarizar; orgulhar-se de
seus acertos; reparar seus erros e pedir desculpas. O espaço público passa a ser o perigo, retrata a ameaça e o medo.
O lugar que deveria ser tomado pelas crianças para brincar, experimentar o novo, ampliar seu mundo social e de conhecimentos, propiciar e receber afetos; passa a restringir seu direito de participar, de opinar, de escolher.
Limita a sua compreensão sobre a riqueza da diversidade humana e da igualdade e seus direitos."
Luzia Torres Gerosa Laffite - Superintendente do Instituto da Infância.