
O Instituto da Infância e a Fundação Bernard Van Leer realizaram no último dia 18 de março um seminário com a temática “As infâncias no Nordeste do Brasil: novas estratégias de intervenção”.
Com a proposta de debater e procurar soluções para os problemas que envolvem esse tema, o seminário contou com a participação de diversas instituições como a Secretaria do Estado de Educação (SEDUC), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Instituto de Prevenção a Desnutrição e a Excepcionalidade (IPREDE), a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) o Instituto de Avaliação & Gestão (IAG) e a ONG Catavento.
O primeiro momento do seminário se deu através de palestras das instituições IAG, UNICEF, IPREDE e IFAN. O Professor Marcos Lima, representante da IAG, apresentou dados importantes, através de fontes como o IBGE, dos quadros geopolíticos e demográficos, econômico, social e da infância no Brasil.
A Dra. Tati, especialista em saúde e desenvolvimento infantil do UNICEF, proferiu sua palestra mostrando uma pesquisa realizada pelo UNICEF, em 2006. Nela, foi constatada que 1.496 bebês eram nascidos de mães cearenses menores de 15 anos de idade; 47,6% das mulheres que estavam grávidas no Ceará declararam que sua gravidez era não desejada; A principal razão da criança não ser registrada no Ceará é o pai não reconhecer a paternidade. A Dra. Tati concluiu pelos dados que a criança rural cearense atual nasce já rejeitada pelos pais. Pela mãe, por não ter desejado a gravidez e pelo pai por não querer registrar o filho.
Em sua palestra, o Dr. Álvaro Madeiro, professor da UFC e representante do IPREDE, deu enfoque à violência contra as crianças e à saúde mental das mães que vivem na zona rural. Segundo os dados divulgados, “dar palmadas nas nádegas” é a punição física não-grave mais cometida pelos pais como método educativo com as crianças. Como punição física grave está a punição de sacudir a criança de 0 a 2 anos.
Fechando o ciclo de apresentações, a superintendente do IFAN, Luzia Laffite, falou da importância de atacar os fatores que geram a violência e a mortalidade infantil. Ela defendeu a sustentabilidade como característica fundamental para a implantação de um programa na área. Mais importante do que iniciar um programa é iniciá-lo e mantê-lo sempre ativo.
Além disso, também foi debatida a identificação que crianças e adolescentes tem hoje com o crime organizado. Eles acabam excluindo os pais de suas vidas por acharem que o crime organizado é o caminho mais fácil para adquirir roupas, celulares, etc.
A inexistência de espaços de lazer para as crianças foi a última temática levantada pela Sra. Luzia e discutida pelos participantes. Não existe um espaço físico, como parques, para a criança pequena nas grandes cidades, o que acaba causando a falta de um ambiente ideal para o crescimento e desenvolvimento da mesma.
No segundo momento do seminário, as instituições debateram sobre tudo que foi apresentado, analisaram problemas e apresentaram soluções para os problemas ligados à infância no Brasil.